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quinta-feira, 22 de outubro de 2026
Anatel e tribunais restringem serviços por PHP
Medidas preventivas foram recomendadas pelo governo para mitigar riscos.
A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) e diversos tribunais federais decidiram restringir o acesso aos seus serviços digitais como forma de prevenção às duas vulnerabilidades graves encontradas na linguagem PHP que colocam em risco cerca de 70% da web.
Segundo reporta o InfoMoney, a Anatel optou por suspender temporariamente o acesso externo ao Sistema Eletrônico de Informações (SEI), plataforma utilizada por órgãos públicos para administrar documentos e processos digitais.
O Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1), de Brasília, fez o mesmo, seguindo uma orientação do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4), que abrange os três estados da Região Sul.
A ideia é preservar a segurança das informações institucionais enquanto são realizadas avaliações técnicas. Ainda não há previsão de restabelecer o acesso externo.
A mesma medida foi tomada pela Justiça Federal da 4ª Região e pelo TRF6, responsável por Minas Gerais. Este último suspendeu o expediente e os prazos processuais após identificar instabilidades em sistemas eletrônicos.
A orientação veio do Governo Federal, que publicou um comunicado sobre o incidente, onde explica o que aconteceu e quais as consequências para a segurança digital.
Como parte das recomendações, o Poder Executivo listou: atualizar o PHP para as versões corrigidas ou versões posteriores das linhas, identificar os servidores e aplicações que utilizam a linguagem e priorizar aqueles expostos à internet e, se necessário, avaliar a migração para versões com suporte ou a aplicação de correções dos fornecedores.
Caso a atualização imediata não seja possível, a ordem é de adotar temporariamente medidas de mitigação que incluem reiniciar todos os processos PHP, avaliar configurações específicas para reduzir os cenários de exploração, restringir o tamanho das requisições HTTP, restringir o acesso aos serviços expostos à internet e intensificar o monitoramento de processos PHP, registros de erros, encerramentos inesperados e atividades suspeitas.
Até o momento, não há confirmação de invasões de grande impacto decorrentes dessas vulnerabilidades no Brasil.
Agências nacionais de cibersegurança dos Estados Unidos, do Reino Unido, dos Países Baixos, da Finlândia e da Austrália já tinham emitido alertas emergenciais, fazendo com que grandes plataformas web, firewalls em nuvem e vários ministérios de governos tirassem do ar portais públicos.
Identificadas como CVE-2026-109618 e CVE-2026-109619 e batizadas como PHP2Shell por analistas de ameaças, as brechas encontradas viabilizam invasões criminosas em servidores sem necessidade de cadastros ou acesso autorizado ao sistema, abrindo espaço para roubo de informações, execução de comandos maliciosos e para o comprometimento do funcionamento de páginas on-line.
Ao contrário de falhas típicas de segurança na web, originadas em plugins de terceiros do WordPress ou em extensões não verificadas de sistemas de gerenciamento de conteúdo, essas vulnerabilidades foram encontradas diretamente no fundamento do mecanismo interno do PHP.
Isso significa que as PHP2Shell afetam a forma como a PHP aloca, rastreia e descarta a memória do sistema quando uma solicitação HTTP encontra um erro operacional atual.
Às 10h45 no horário de Brasília da quarta-feira, 21, os desenvolvedores da PHP anunciaram a publicação de quatro novas versões do software para corrigir as vulnerabilidades: PHP 8.5.12; PHP 8.4.27; PHP 8.3.36; e PHP 8.2.35.
Eles enfatizam que "não há medidas de mitigação completas, atualizar é a única opção segura".
Desenvolvida originalmente em 1994 pelo programador Rasmus Lerdorf, a PHP é uma linguagem gratuita e de código aberto mantida atualmente por voluntários e usada para executar sites, podendo ser embutida dentro do HTML.
Em vez de usar muitos comandos para mostrar HTML, as páginas PHP contém HTML em código mesclado.
Uma das principais características desse sistema é que ele oferece suporte a uma ampla variedade de bancos de dados.
Por isso, a linguagem é amplamente usada no desenvolvimento web, com ênfase em sistemas de login, gerenciamento de cadastros, processamento de formulários, consulta de bancos de dados, controle de sessões de usuários, criações de sistemas de comércio eletrônico e construção de APIs.
A PHP teve um papel relevante na expansão do desenvolvimento web dinâmico, ao permitir que sites e aplicações processassem informações no servidor e gerassem páginas conforme as solicitações dos usuários.
Fonte: BAGUETE
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